sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A poesia Barroca de Gregório de Matos



Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado

Da vossa piedade me despido,:

Porque quanto mais tenho delinquido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,

A abrandar-vos sobeja um gemido:

Que a mesma culpa que vos há ofendido,

Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e cobrada

Glória tal e prazer tão repentino

Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;

Cobrai-me; e não queirais, Pastor Divino,

Perder na vossa ovelha a vossa glória.


Por Carolina

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